A volta da Honda Twister 250

Os brasileiros são fissurados em cilindrada. Mas qual povo que curte motores que não é? O fato é que o número que expressa o volume deslocado pelos pistões em um motor a combustão interna é sempre visto de uma forma especial, quase mágica. Se é grande, indica vigor, se pequeno, se torna engraçadinho. Quando indicado em litros, esse volume, mais conhecido por “cilindrada”, adquire poderes especiais. A unidade, ou seja, um litro – que equivale a 1.000 cm3 –, é vista com desprezo em um automóvel, mas nas motocicletas é o que mais se aproxima da perfeição. Só que as frações dessa unidade perfeita também são consideradas mágicas. Pelo menos para as motocicletas. Pura matemática. Tanto floreio apenas para dizer que a nova motocicleta da Honda é matematicamente perfeita. É uma 250 cm3. Um quarto de litro. É a nova Twister.

Já ouvimos esse nome, não? A Honda CBX 250 Twister, que foi lançada no Brasil em 2001, tinha muitas virtudes, entre elas a relação geométrica mais favorável para um motor monocilíndrico, com a cilindrada exata de 249 cm3. Motocicleta valente, cabeçote DOHC de quatro válvulas e câmbio de seis marchas. Brincava em cima de sua maior rival, a Yamaha Fazer, que se gabava de sua injeção eletrônica (a Twister ainda tinha carburador). Para tristeza das cabeças exatas, que historicamente sempre cultuaram o quarto de litro como cilindrada mágica, ela se aposentou em 2009 para dar lugar à nova Honda CB 300R. Maior cilindrada, porém menor prestígio. Pelo menos para quem sabia que aquela era a cilindrada ideal para um mono. É que a CB 300R tinha o mesmo bloco da Twister, só que com cilindrada aumentada para 291,6 cm3, o que o tornou meio cabeçudo (quando não há muita progressividade nas acelerações e há maior incidência de vibrações indesejáveis). Mas como o que é bom sempre volta, está aí novamente a Twister, desta vez com o nome completo de Honda CB 250 Twister. Mas pode chamá-la de CB Twister.

Está bem claro que a omissão da cilindrada no nome oficial da nova motocicleta visa “não lembrar” os interessados de que a cilindrada da Twister é menor do que a do modelo que a sucedeu. Mas, neste caso, isso é o menos importante, já que a CB Twister é notadamente melhor que a CB 300R, em todos os aspectos.

O novo motor, que não tem nada em comum com o da antiga CBX Twister, é um SOHC (comando único no cabeçote) de apenas duas válvulas, enquanto que antigo era um DOHC de quatro válvulas, a mesma configuração da CB 300R. Sobre a Twister original, a grande vantagem da nova é o motor mais suave, com maior ênfase no torque em baixas rotações, devido ao maior curso do pistão, e a alimentação por injeção (flex). E sobre a CB 300R, as vantagens são ainda maiores, com destaque para a volta do câmbio de 6 marchas (5 na 300) e uma geometria de suspensão dianteira mais favorável ao conforto. É claro que as potências nominais são coerentes com os tipos de motores, a CBX Twister tinha 24 cv, a CB 300R tinha 26,5 cv e a nova CB Twister tem apenas 22,6 cv.

A nova Honda CB Twister tem a missão de reposicionar a marca no segmento de média cilindrada, com um modelo resistente e de baixa manutenção. Produzida em Manaus, AM, estará disponível nas versões Standard ou com freios ABS. As semi-carenagens laterais e a rabeta seguem um estilo de inspiração esportiva e o painel de instrumentos digital tem conta-giros, velocímetro, hodômetros total e parcial, indicador de nível de combustível e as luzes de injeção eletrônica, neutro, farol alto e piscas. O tanque de combustível é de 16,5 litros e o bocal é do tipo abastecimento rápido. Farol e lanterna traseira são de leds.

As rodas são de liga-leve e os pneus são radiais sem câmara Pirelli Diablo Rosso, exclusivos para a CB Twister, com medidas 110/70R-17 na dianteira e 140/70R-17 na traseira. O chassi é do tipo diamante, com tubos de aço com dupla trave e estrutura compacta. O peso total é de 137 kg na versão Standard e de 139 kg na versão equipada com freios ABS.

Rodando com a nova Honda CB Twister é fácil notar o quanto que sua dirigibilidade é superior à da Honda CB 300R, que deixa de ser produzida. O motor é mais suave e progressivo, apesar de um pouco menos potente, mas com nível de vibrações muito mais baixo, quase imperceptível. Tecnicalidades à parte, uma das melhores notícias mesmo foi o retorno do tão festejado quarto de litro, que veio junto com o resgate do nome Twister.

 

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