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Técnica

Lubrificantes YPF crescendo em nosso mercado

Eu já gostei de Fórmula Um. Nos anos 60, Jim Clark era meu ídolo. Depois vieram outros, como Denny Hulme, Graham Hill, Jochen Rindt e Jackie Stewart. Mas para nós, brasileiros, a Fórmula Um começou em 1972, quando foi realizada uma prova extra-campeonato em Interlagos, no dia 30 de março. Torci para o Emerson, é claro, mas sua suspensão traseira quebrou e ele saiu da prova. Dois brasileiros ainda fizeram bonito, Wilson Fittipaldi, que chegou em terceiro lugar, e Luis Pereira Bueno, na sexta colocação.

Carlos Reutemann em InterlagosMas quem era aquele argentino que venceu a prova? Carlos Reutemann, que correu com um Brabham BT 34, levou o troféu em uma prova esvaziada por não valer pontos para o campeonato daquele ano. Muitos dos já consagrados ídolos do automobilismo mundial não vieram correr no Brasil, que ainda não tinha tradição em campeonatos mundiais. Mas por que estou falando sobre Fórmula Um? Nessa época a categoria máxima do automobilismo me atraía pela esportividade, pelas máquinas de difícil pilotagem e pela beleza dos carros. Diferentemente de épocas que viriam a seguir, a pintura dos carros era simples e bonita, com apenas um grande patrocinador, que geralmente dava o nome à equipe. Elf, a gasolina francesa, patrocinava os Tyrrell, Gold Leaf e John Players Special, os Lotus. Fiquei decepcionado quando descobri que se tratava de cigarros. Tinha bebidas, Martini, perfumes, Yardley, lubrificantes, STP, e poucas marcas mais. O Brabham de Reutemann era branco e ostentava um belo símbolo circular no nariz, com as letras YPF. Essa marca aguçou minha curiosidade, tinha que saber do que se tratava. O que era YPF? Fui saber depois que era a gasolina argentina, como se fosse a Petrobrás deles. E essa marca ficou marcada em mim para sempre em esportes a motor.

 

Além das bandeiras tradicionais nos postos de combustíveis brasileiros, que por muito tempo não eram muitos – Shell, Esso, Texaco, Atlantic (lembram?), São Paulo (essa quase eu mesmo não lembrei) –, os anos 90 viram surgir novas marcas fincadas no alto dos postes dos postos de abastecimento. Privatizada em 1989, a YPF chegou ao Brasil em 1998, passando a fornecer lubrificante para o primeiro enchimento dos motores Volkswagen. No ano seguinte foi a vez dos caminhões Scania receberem óleo lubrificante YPF, mesma época em que a espanhola Repsol adquiriu o controle acionário da empresa. Nesse ano, a YPF brasileira comprou uma rede de 50 postos de combustíveis no interior de São Paulo e Minas Gerais e trocou a bandeira pela YPF. Em 2012, a YPF sai do controle da Repsol e volta a ser uma empresa estatal argentina. E finalmente, em 2015, a YPF comprou uma fábrica de lubrificantes em Diadema, SP, e passou a produzir óleo com a marca Elaion, linha ultra moderna de lubrificantes automotivos que existe desde 1993.

Rato de chão de fábrica, gosto de ver a produção de automóveis e motocicletas, desde quando os sistemas ainda eram mais artesanais até hoje, fábricas quase que totalmente automatizadas. Mas nunca havia visitado uma fábrica de lubrificantes nem uma refinaria de petróleo. Fui convidado pela YPF para conhecer a refinaria de La Plata, na Argentina, na cidade de mesmo nome que é a capital da província de Buenos Aires. É enorme e uma das mais modernas do mundo. A produção de lubrificantes é inteiramente automatizada, com controle de níveis dos tanques de óleo base e dos aditivos que compõem o produto final todo feito por monitores na central de controle. Todos os dutos pelos quais circulam as matérias primas e o lubrificante final são percorridos sob pressão por um pic autolimpante antes da troca do produto, para garantir que nunca haja mistura de produtos diferentes. Ao operador fica a tarefa de selecionar os tanque cujos ingredientes serão misturados e controlar os níveis de cada um.

Além da ininfinidade de dutos que percorrem toda a área da refinaria e do espaço interno da fábrica de lubrificantes, a tecnologia empregada no sistema de produção é surpreendente. Depois que cada frasco, cada lata e cada bombona de lubrificante é preenchida automaticamente, o balé das empilhadeiras computadorizadas que transportam os paletes já preparados para o transporte é um verdadeiro espetáculo. São dez carrinhos se movendo e se cruzando como se fossem motoristas treinados em manobras e em gentileza.

A linha de lubrificantes Elaion é ultra moderna, preparada para as mais recentes exigências dos motores atuais. São sete multiviscosos sintéticos, incluindo um 0W-20, dois semissintéticos e dois minerais, também multiviscosos. Esses lubrificantes têm a chamada tecnologia TAS Anti-Stress, desenvolvida para aumentar a vida útil dos motores modernos reduzindo o desgaste interno dos componentes. Para motores a diesel há a linha Extravida.

Mesmo com fábrica no Brasil já há muito tempo, a YPF pretende ampliar sua participação em nosso mercado tornando a marca mais conhecida do consumidor. Assim, o usuário de óleos lubrificantes – todos aqueles que possuem um automóvel ou uma motocicleta – não precisarão ter longínquos conhecimentos sobre a Fórmula Um para lembrarem que YPF não é uma marca de cigarro ou de bebida, mas sim de um importante componente mecânico de nossas queridas máquinas. Que foi o meu caso, quando um desconhecido piloto argentino veio e venceu em nosso quintal, me fazendo gravar a marca YPF para toda a vida.

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